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Decidindo quando e como compartilhar

O momento e a forma de compartilhar sua história são escolhas totalmente suas. Algumas pessoas preferem uma conversa presencial, outras se sentem mais confortáveis escrevendo—por mensagem, carta ou até compartilhar de forma anônima. Não existe um jeito certo ou um momento perfeito: o que importa é o que parece mais seguro e possível para você neste momento. Nesta seção, exploramos o que considerar ao escolher quando e como compartilhar.

Decidindo quando e como compartilhar

O momento e a forma de compartilhar sua história são escolhas totalmente suas. Algumas pessoas preferem uma conversa presencial, outras se sentem mais confortáveis escrevendo—por mensagem, carta ou até compartilhar de forma anônima. Não existe um jeito certo ou um momento perfeito: o que importa é o que parece mais seguro e possível para você neste momento. Nesta seção, exploramos o que considerar ao escolher quando e como compartilhar.

Decidindo se estamos prontas/os

Querer compartilhar é uma coisa, mas saber se realmente estamos prontas(os) para isso, é outra.

Percebendo como nos sentimos

Se nos sentimos em segurança, no controle e com vontade de falar, pode ser que estejamos preparadas(os) para conversar com alguém. Mas se não nos sentimos em segurança, ou se achamos que isso pode ser re-traumatizante, talvez precisemos de mais tempo antes de compartilhar. Talvez ainda não seja o momento, e tudo bem.

Aqui vão algumas perguntas que podem ajudar a entender como estamos nos sentindo e se estamos preparadas/os para compartilhar nossa história: 

  • Quais emoções surgem quando penso em compartilhar minha experiência?
  • Estou contando porque realmente quero, ou sinto pressão para fazer isso?
  • Eu me sinto em segurança no ambiente atual para ter essa conversa?
  • Estou sentindo nervosismo, mas ainda no controle — ou me sinto lidando com uma sobrecarga?

E se o assunto surgir naturalmente?

Essas conversas também podem surgir de forma espontânea, mesmo que não estejamos 100% preparadas(os). Quando isso acontecer, podemos usar nosso bom senso para decidir se queremos continuar. Também pode haver momentos em que nos sentimos pressionadas(os) a contar antes de estarmos prontas(os), ou com alguém que não nos sentimos à vontade.

É importante lembrar: não devemos nossa história a ninguém, e está tudo bem voltar ao assunto mais tarde, quando  sentirmos que é o momento mais adequado. Podemos dizer algo como: “Isso é algo que não me sinto confortável em conversar agora. Podemos falar de outra coisa, por favor?”

E se quisermos tentar, mas ainda não tivermos certeza?

Se sentirmos incerteza, mas acharmos que pode ser o momento certo, podemos mencionar o assunto de forma suave e observar como a outra pessoa reage. Se a reação não for acolhedora ou se nos sentirmos desconfortáveis, está tudo bem parar e retomar outro dia. Não existe um tempo certo — somos nós que decidimos quando, como e com quem compartilhar nossa história.

E se alguém compartilhar sem o nosso consentimento?

Infelizmente, há situações em que nossa experiência é compartilhada sem nosso consentimento, como em escolas, locais de trabalho ou espaços religiosos. Isso pode ser traumático e opressor, especialmente se não nos sentimos prontas(os) para falar ou não nos sentimos confortáveis em compartilhar com a pessoa envolvida. Se isso acontecer, podemos tentar afirmar nossos limites — deixar claro que não escolhemos dividir nossa experiência e que não estamos nos sentindo prontas(os) para conversar ou agir sobre isso. Se tudo parecer fora de controle, está tudo bem se afastar e focar no autocuidado. Você pode visitar nossa seção de autocuidado para estratégias de apoio.

Escolhendo a forma certa de compartilhar

Qual é o meio mais adequado para a nossa conversa?

Conversas podem acontecer de várias formas diferentes. O mais importante é encontrar o meio que funcione melhor para nós.

Compartilhar anonimamente

Às vezes, queremos que as pessoas conheçam nossa história, mas não queremos que saibam que é nossa.

Há muitas formas pelas quais sobreviventes encontraram justiça pessoal de maneira anônima. No México, sobreviventes de violência criaram “muros da vergonha”, onde escrevem suas experiências junto com o nome da(s) pessoa(s) responsável(is). No Paquistão, estudantes de uma escola preparatória usaram as redes sociais para relatar abusos cometidos por professores. Em várias partes do mundo, sobreviventes entram em contato com jornalistas para contar suas histórias e pedem que elas sejam tornadas públicas em seu nome.

Dependendo da nossa situação, manter o anonimato pode ser a opção mais segura — mas é importante tomarmos cuidado para proteger nossa identidade. Para mais informações sobre como se manter seguro online, consulte o guia de segurança digital da Chayn: DIY Online Safety.

Permanecer em anonimato também pode ser importante se estivermos seguindo com ações legais. Já houve casos em que a prática de “expor o agressor” dificultou o processo judicial. Se você já fez uma denúncia e se sente confortável, vale a pena entrar em contato com a instituição à qual você denunciou para ter certeza de que está tomando uma decisão informada antes de compartilhar sua história de forma mais ampla.

Compartilhar por escrito

Compartilhar por escrito — seja por e-mail, carta manuscrita ou mensagem — pode ser uma forma poderosa de contar nossa história. Nos permite tomar nosso tempo, escolher com cuidado as palavras e nos expressar sem a pressão de uma reação imediata.

Também cria um registro escrito, que pode ser útil para nossa reflexão ou como documentação, caso precisemos no futuro. Se estamos entrando em contato com alguém para pedir apoio, uma carta dá espaço para que essa pessoa processe o que compartilhamos antes de responder.

No entanto, há algumas coisas a considerar:

Uma vez enviada, é permanente
Pode ser compartilhado com outras pessoas.
Pode ser usado em processos legais
Manter uma cópia para nós mesmas(os) é uma boa ideia

Conversar por telefone

Se falar pessoalmente parecer algo avassalador, uma ligação telefônica pode ser um meio-termo confortável. Permite que tenhamos uma conversa privada mantendo certa distância, o que pode nos ajudar a nos sentir em mais segurança e no controle. Podemos escolher quando e onde ligar, garantindo que estejamos no espaço mais confortável possível.

Aqui vão algumas considerações antes de fazer uma ligação:

Privacidade e horário
Não precisamos continuar na chamada, se ficar pesado demais
Gravar a conversa pode ser uma opção

Falar pessoalmente

Podemos decidir que falar pessoalmente é a melhor opção. Isso permite uma conexão mais profunda, ajuda a outra pessoa a entender nossas emoções e nos dá a chance de observar sua reação em tempo real.

Aqui vão algumas coisas para pensar antes de ter uma conversa presencial:

Escolha um local que pareça seguro
Podemos estabelecer limites com antecedência
Ter um plano de apoio pode ajudar
Uma chamada de vídeo pode ser uma boa alternativa

Depois de escolhermos a pessoa certa e o lugar certo, podemos chamá-la(lo) para conversar sem dar detalhes imediatamente. Uma mensagem simples como: “Tenho algo importante que gostaria de conversar com você. Você estará disponível amanhã à noite?” já é suficiente.

Escolher o momento e o ambiente que nos fazem sentir mais confortáveis é essencial — nós merecemos ter essa conversa nos nossos próprios termos.

Lembre-se…

Não existe um momento perfeito nem uma única maneira certa de contar a alguém o que aconteceu. Você define o ritmo e a forma que parecerem mais adequados para você.

Principais aprendizados

  • Vá no seu tempo—sentir-se pronta(o) é mais importante do que o momento em si.

  • A escolha de como compartilhar é sua: por escrito, pessoalmente, por telefone ou de forma anônima.

  • O preparo pode ajudar você a se sentir mais em controle, e está tudo bem fazer pausas ou mudar de plano.

  • Se a conversa começar de forma inesperada, você pode recuar e voltar a falar sobre isso mais tarde.

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