
O momento e a forma de compartilhar sua história são escolhas totalmente suas. Algumas pessoas preferem uma conversa presencial, outras se sentem mais confortáveis escrevendo—por mensagem, carta ou até compartilhar de forma anônima. Não existe um jeito certo ou um momento perfeito: o que importa é o que parece mais seguro e possível para você neste momento. Nesta seção, exploramos o que considerar ao escolher quando e como compartilhar.
O momento e a forma de compartilhar sua história são escolhas totalmente suas. Algumas pessoas preferem uma conversa presencial, outras se sentem mais confortáveis escrevendo—por mensagem, carta ou até compartilhar de forma anônima. Não existe um jeito certo ou um momento perfeito: o que importa é o que parece mais seguro e possível para você neste momento. Nesta seção, exploramos o que considerar ao escolher quando e como compartilhar.

Querer compartilhar é uma coisa, mas saber se realmente estamos prontas(os) para isso, é outra.
Se nos sentimos em segurança, no controle e com vontade de falar, pode ser que estejamos preparadas(os) para conversar com alguém. Mas se não nos sentimos em segurança, ou se achamos que isso pode ser re-traumatizante, talvez precisemos de mais tempo antes de compartilhar. Talvez ainda não seja o momento, e tudo bem.
Aqui vão algumas perguntas que podem ajudar a entender como estamos nos sentindo e se estamos preparadas/os para compartilhar nossa história:
Essas conversas também podem surgir de forma espontânea, mesmo que não estejamos 100% preparadas(os). Quando isso acontecer, podemos usar nosso bom senso para decidir se queremos continuar. Também pode haver momentos em que nos sentimos pressionadas(os) a contar antes de estarmos prontas(os), ou com alguém que não nos sentimos à vontade.
É importante lembrar: não devemos nossa história a ninguém, e está tudo bem voltar ao assunto mais tarde, quando sentirmos que é o momento mais adequado. Podemos dizer algo como: “Isso é algo que não me sinto confortável em conversar agora. Podemos falar de outra coisa, por favor?”
Se sentirmos incerteza, mas acharmos que pode ser o momento certo, podemos mencionar o assunto de forma suave e observar como a outra pessoa reage. Se a reação não for acolhedora ou se nos sentirmos desconfortáveis, está tudo bem parar e retomar outro dia. Não existe um tempo certo — somos nós que decidimos quando, como e com quem compartilhar nossa história.
Infelizmente, há situações em que nossa experiência é compartilhada sem nosso consentimento, como em escolas, locais de trabalho ou espaços religiosos. Isso pode ser traumático e opressor, especialmente se não nos sentimos prontas(os) para falar ou não nos sentimos confortáveis em compartilhar com a pessoa envolvida. Se isso acontecer, podemos tentar afirmar nossos limites — deixar claro que não escolhemos dividir nossa experiência e que não estamos nos sentindo prontas(os) para conversar ou agir sobre isso. Se tudo parecer fora de controle, está tudo bem se afastar e focar no autocuidado. Você pode visitar nossa seção de autocuidado para estratégias de apoio.
Qual é o meio mais adequado para a nossa conversa?
Conversas podem acontecer de várias formas diferentes. O mais importante é encontrar o meio que funcione melhor para nós.
Às vezes, queremos que as pessoas conheçam nossa história, mas não queremos que saibam que é nossa.
Há muitas formas pelas quais sobreviventes encontraram justiça pessoal de maneira anônima. No México, sobreviventes de violência criaram “muros da vergonha”, onde escrevem suas experiências junto com o nome da(s) pessoa(s) responsável(is). No Paquistão, estudantes de uma escola preparatória usaram as redes sociais para relatar abusos cometidos por professores. Em várias partes do mundo, sobreviventes entram em contato com jornalistas para contar suas histórias e pedem que elas sejam tornadas públicas em seu nome.
Dependendo da nossa situação, manter o anonimato pode ser a opção mais segura — mas é importante tomarmos cuidado para proteger nossa identidade. Para mais informações sobre como se manter seguro online, consulte o guia de segurança digital da Chayn: DIY Online Safety.
Permanecer em anonimato também pode ser importante se estivermos seguindo com ações legais. Já houve casos em que a prática de “expor o agressor” dificultou o processo judicial. Se você já fez uma denúncia e se sente confortável, vale a pena entrar em contato com a instituição à qual você denunciou para ter certeza de que está tomando uma decisão informada antes de compartilhar sua história de forma mais ampla.
Compartilhar por escrito — seja por e-mail, carta manuscrita ou mensagem — pode ser uma forma poderosa de contar nossa história. Nos permite tomar nosso tempo, escolher com cuidado as palavras e nos expressar sem a pressão de uma reação imediata.
Também cria um registro escrito, que pode ser útil para nossa reflexão ou como documentação, caso precisemos no futuro. Se estamos entrando em contato com alguém para pedir apoio, uma carta dá espaço para que essa pessoa processe o que compartilhamos antes de responder.
No entanto, há algumas coisas a considerar:
Seja por carta, e-mail ou mensagem, nossas palavras existirão fora do nosso controle. Está tudo bem levar o tempo que for preciso antes de enviar.
Mesmo que confiemos na pessoa que vai receber, ela pode encaminhar ou mostrar o texto a terceiros. Se privacidade for uma preocupação, talvez seja melhor sermos cuidadosas(os) com o que incluímos.
Se existe a possibilidade de ação judicial, é importante focar nos fatos e evitar linguagem que possa ser mal interpretada. Utilizar uma linguagem neutra e clara pode ajudar.
Enviando ou não, ter uma cópia nos ajuda a acompanhar nossos pensamentos, documentar nossa experiência e nos lembrar da força que é colocar nossa história em palavras.
Se falar pessoalmente parecer algo avassalador, uma ligação telefônica pode ser um meio-termo confortável. Permite que tenhamos uma conversa privada mantendo certa distância, o que pode nos ajudar a nos sentir em mais segurança e no controle. Podemos escolher quando e onde ligar, garantindo que estejamos no espaço mais confortável possível.
Aqui vão algumas considerações antes de fazer uma ligação:
Encontrar um lugar tranquilo e seguro para falar — onde nossa história não seja ouvida por terceiros e onde não haja interrupções — tudo isso pode nos ajudar a ficar mais à vontade.
Está tudo bem desligar o telefone se a conversa não estiver indo bem ou se começarmos a nos sentir sobrecarregadas(os). Também podemos estabelecer limites desde o início, como: “Tenho apenas 10 minutos para conversar”, para manter a conversa nos nossos termos.
Ter um registro pode ser útil, especialmente se estivermos conversando com alguém em um papel oficial. No entanto, as leis sobre gravações variam de acordo com o local, então é importante verificar se precisamos do consentimento da outra pessoa antes de gravar.
Podemos decidir que falar pessoalmente é a melhor opção. Isso permite uma conexão mais profunda, ajuda a outra pessoa a entender nossas emoções e nos dá a chance de observar sua reação em tempo real.
Aqui vão algumas coisas para pensar antes de ter uma conversa presencial:
Um espaço público como um café ou parque pode parecer mais seguro, especialmente se não sabemos como a pessoa vai reagir. Por outro lado, um ambiente privado — como a casa de um(a) amigo(a) de confiança — pode oferecer mais conforto e privacidade.
Se temos receio de que a conversa fique pesada demais, podemos dizer o que precisamos, como: “Não quero conselhos agora — só preciso que você me ouça e me ofereça apoio emocional”.
Pode ser útil combinar com uma/um amiga(o) de confiança para entrar em contato depois da conversa, ou planejar algo reconfortante para fazer em seguida — como ouvir música, escrever num diário ou descansar.
Se não for possível ou seguro se encontrar pessoalmente, usar um aplicativo de vídeo seguro ainda pode oferecer uma sensação de conexão, permitindo que estejamos em um lugar onde nos sentimos confortáveis.
Depois de escolhermos a pessoa certa e o lugar certo, podemos chamá-la(lo) para conversar sem dar detalhes imediatamente. Uma mensagem simples como: “Tenho algo importante que gostaria de conversar com você. Você estará disponível amanhã à noite?” já é suficiente.
Escolher o momento e o ambiente que nos fazem sentir mais confortáveis é essencial — nós merecemos ter essa conversa nos nossos próprios termos.
Não existe um momento perfeito nem uma única maneira certa de contar a alguém o que aconteceu. Você define o ritmo e a forma que parecerem mais adequados para você.
Vá no seu tempo—sentir-se pronta(o) é mais importante do que o momento em si.
A escolha de como compartilhar é sua: por escrito, pessoalmente, por telefone ou de forma anônima.
O preparo pode ajudar você a se sentir mais em controle, e está tudo bem fazer pausas ou mudar de plano.
Se a conversa começar de forma inesperada, você pode recuar e voltar a falar sobre isso mais tarde.